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As oportunidades do mercado de energia renovável no Paraná

Diego Velázquez
Diego Velázquez 18 de julho de 2024
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A energia é fundamental para todos os setores industriais. Essencial para a evolução da economia de qualquer região, a geração energética traz muitos desafios, como custos e investimentos em infraestrutura e tecnologia, mas também oferece um amplo campo de oportunidades.

Para tratar sobre ambos os pontos de vista, o III Cogen Sul, seminário promovido pela Associação Brasileira de Geradores de Energia (Cogen), reuniu em maio especialistas e importantes membros do setor de cogeração de energia. Tendo passado anteriormente pelos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o evento fechou o ciclo na região Sul, na sede da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), em Curitiba.

Com a presença de membros da indústria paranaense, de agências reguladoras e de fornecedores de equipamentos para o setor, foram realizados quatro painéis sobre o cenário das energias renováveis no Paraná com os temas “Indústria”, “Regulação”, “Biogás e Biometano” e “Infraestrutura”.

“O objetivo, principalmente, é trazer tecnologias e informação. O papel da Fiep é esse: trazer essa informação para que a indústria possa tomar suas decisões”, explicou João Arthur Mohr, gerente de Assuntos Estratégicos da entidade de classe.

Para o dirigente, o evento reforça o potencial paranaense para a produção de energias renováveis, em especial o biometano. Condições favoráveis, como isenção de impostos e sólida cadeia produtiva, são alguns dos trunfos do Paraná.

“Com certeza, é uma oportunidade muito grande para que a gente possa tornar as nossas indústrias ainda mais competitivas. Temos um potencial gigante, pois o que antes era um passivo ambiental, passa a ser uma solução energética. E, no Paraná, temos isenção de impostos para toda a cadeia produtiva do biogás e do biometano”, destaca Mohr.

O que é cogeração?

A cogeração é, conceitualmente, a produção de duas ou mais formas de energia a partir de uma única fonte de combustível, como o gás natural, por exemplo. “A diferença da cogeração é que eu não gero apenas eletricidade, eu também gero outras utilidades, como o calor; o frio, que é o ar-condicionado; o vapor, essencial em indústrias como a de celulose; e gases, como o CO2, por exemplo, usado para colocar nos refrigerantes”, explica o presidente da Cogen, Newton Duarte.

Segundo o executivo, a cogeração possui eficiência energética que pode chegar a até 90%, evitando perdas, que costumam ser maiores nos métodos de geração de energia convencionais. “A vantagem da cogeração, principalmente com gás natural, é que ela traz enorme eficiência. Isso é muito bom para o país. Estou falando de 40% a 90% de eficiência. A diferença é palpável e isso significa competitividade e economia”, detalha Duarte.

O uso de cogeração pelas indústrias, especialmente para baratear o custo da energia elétrica em horário de pico, segue uma tendência de crescimento. Em 2003, quando a Cogen foi fundada, havia aproximadamente 4.000 megawatts instalados. Atualmente, esse indicador chega a 20.500 megawatts instalados.

A oportunidade do biogás e do biometano

Outra vantagem da cogeração é a possibilidade de combustíveis diversos. Além do gás natural, também é possível fazer uso de biomassas. Um exemplo disso são os resíduos da cana-de-açúcar. Para cada litro de etanol produzido são extraídos 10 a 12 litros de vinhaça, subproduto que pode ser usado como matéria prima energética para a produção de biogás. A proteína animal também deixa resíduos utilizáveis para esse fim.

O biogás, por sua vez, é transformado em biometano, que possui amplo potencial de geração em solo paranaense. “A cogeração tem, especialmente no mercado do Paraná, uma vizinhança com esse tema. O Paraná é um grande produtor de proteína animal, que tem essa possibilidade de produção de biogás e do biometano, que será um grande indutor do desenvolvimento da cogeração no estado. O Paraná vai ser, certamente, um exemplo para outros estados brasileiros. As perspectivas são excelentes”, ressalta Newton Duarte.

O biometano, inclusive, tem feito parte das prioridades da Compagas, a Companhia Paranaense de Gás, que tem no combustível renovável um pilar de sua estratégia de expansão. Presente no Cogen Sul, o diretor técnico comercial Fabio Morgado frisou a função da companhia no desenvolvimento de novas matrizes energéticas. “O mais importante para a Compagas é trabalhar como indutora desses processos que vêm acontecendo na inovação da indústria de uma forma geral. A cogeração já é uma tecnologia aplicada há muito tempo, mas a gente precisa sempre estar divulgando e informando os clientes. Hoje, até com a chegada do biogás e do biometano, surgem outras oportunidades”, disse.

O Paraná na vanguarda

Um dos principais pontos destacados no evento é a posição de liderança que o Paraná pode assumir diante das oportunidades energéticas. De acordo com Rafael González, diretor presidente da Cibiogas, entidade paranaense de ciência, tecnologia e inovação voltada ao desenvolvimento de energias renováveis, o Paraná possui condições vantajosas em comparação a outros estados pela capilaridade e pela diversidade.

“Temos uma condição quase que distinta de qualquer outro estado, pois temos biomassa disponível em todas as regiões, e de formas que são distintas também. Temos o setor sucroalcooleiro, a pecuária, a suinocultura, a avicultura, a bovinocultura, e os setores urbanos de produção que podem utilizar matéria orgânica para produção de biogás e outras energias”, pontua.
Durante o evento, González falou sobre o cenário atual do biogás e do biometano e explicou os principais focos da indústria paranaense no avanço do uso de energias renováveis. Em primeiro lugar a descarbonização de seus produtos e, em um segundo momento, a economia de recursos. “Existem cadeias produtivas no Paraná em que 29% do seu custo são de energia. Então, a gente consegue reduzir esse custo de produção baseado na produção de energia própria ou de energia renovável”, acrescenta.

Tag:Romulo Gonçalves dos Santos
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