André Faria, CEO da Vert Analytics e especialista em inteligência artificial e analítica, destaca que uma estratégia de dados só gera valor quando nasce de decisões concretas do negócio. A ideia inverte a lógica de acumular informação antes de saber o que fazer com ela.
O efeito aparece nas pesquisas. A Gartner aponta que entre 40% e 50% dos líderes de dados e análise têm dificuldade para entregar resultados mensuráveis em custos, experiência do cliente e produtividade. Não falta tecnologia. Falta ligação clara entre o investimento e o problema a resolver.
Com a IA generativa e os agentes autônomos de IA, essa distância ficou mais cara, porque modelos sofisticados sobre bases desorganizadas produzem respostas rápidas e erradas. Daí a necessidade de conhecer os pilares que transformam dados em vantagem competitiva, e não apenas em relatórios.
Começar pela decisão, e não pela base de dados
Imagine uma empresa que reúne anos de registros de vendas, atendimento e estoque. Os painéis ficam bonitos, mas ninguém sabe dizer qual decisão mudou por causa deles. É o sintoma de uma estratégia que começou pela coleta, e não pela pergunta que o negócio precisava responder.
André Faria avalia que o ponto de partida deve ser uma lista curta de decisões críticas: onde reduzir perdas, que demanda antecipar, qual processo consome tempo demais. Cada uma indica quais dados importam, com que frequência precisam ser atualizados e quem vai usá-los.
Esse recorte também protege o orçamento. Em vez de projetos amplos e lentos, a organização prioriza casos de uso com retorno visível e amplia o escopo aos poucos. A decisão orientada a dados deixa de ser slogan e vira método, com critério de sucesso definido desde o início.
Governança como condição para confiar nos números
O segundo pilar é a confiança. Se duas áreas chegam a números diferentes para o mesmo indicador, a discussão passa a ser sobre qual planilha está certa. A governança de dados evita esse desgaste com responsáveis, conceitos comuns e regras de acesso.

Na prática, isso significa catalogar fontes, registrar a origem de cada informação e proteger dados sensíveis conforme a legislação. Significa também definir quem altera um conceito e como a mudança é comunicada. Sem esse acordo, qualquer modelo de machine learning reproduz em escala as falhas da base.
Por isso, André de Barros Faria explica que a adoção responsável de IA generativa depende desse alicerce. Transparência sobre as fontes, revisão humana nos pontos sensíveis e trilhas de auditoria tornam as respostas explicáveis, sem transferir ao algoritmo decisões que ainda exigem julgamento.
Da análise à execução com agentes autônomos de IA
Um relatório sobre atrasos no atendimento só gera valor quando alguém age sobre ele. Se essa ação demora dias, o problema se repete no intervalo. O terceiro pilar trata dessa distância entre enxergar e agir, onde boa parte do valor da inteligência analítica se perde.
A hiperautomação combina inteligência artificial, regras de negócio e integração entre sistemas para executar processos de ponta a ponta. Os agentes autônomos de IA vão além: interpretam o contexto, consultam dados, agem dentro de limites definidos e acionam pessoas quando algo foge do previsto.
É nesse ponto que a Vert Analytics concentra sua tecnologia própria, com agentes autônomos de IA que simplificam operações e potencializam resultados. Para empresas e serviços públicos, o ganho esperado aparece em filas menores, respostas mais rápidas e equipes livres de tarefas repetitivas.
Valor que se mede e se sustenta no tempo
O último pilar mantém os demais de pé: medir. Cada iniciativa precisa de indicadores ligados ao resultado, como horas economizadas ou erros evitados, e não só de métricas técnicas. Quando o ganho é mensurável, a estratégia de dados conquista espaço na agenda da diretoria.
Há também um componente humano que ferramenta nenhuma substitui. Equipes que entendem o que os dados dizem e o que não dizem fazem perguntas melhores. A próxima onda de produtividade tende a favorecer quem investe em pessoas no mesmo ritmo em que investe em plataformas.
É essa combinação entre decisão, confiança, execução e medida que André de Barros Faria resume como base da geração de valor duradoura. Mais do que adotar a ferramenta do momento, o desafio das lideranças é construir uma fundação que continue útil quando a próxima inovação chegar.