Bolsonaro e Ratinho Jr. imprimem derrota técnica a Tarcísio

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O presidente Jair Bolsonaro e o ministro Tarcísio Gomes de Freitas, da pasta da Infraestrutura, vivem uma relação de bastante amistosidade. Como mostra reportagem de VEJA desta semana, o presidente vê no ministro um potencial eleitoral que agradaria a ala fiel ao governo e, ao mesmo tempo, teria capacidade de atrair eleitores mais ao centro. Em conversas privadas, o ministro tem dito que resiste à atração ao campo eleitoral, mas avalia que a politização de seu ministério trouxe, recentemente, alguns reveses de ordem técnica.

A isenção de tarifas para motoqueiros nos pedágios foi uma das questões que desagradaram a Tarcísio. Pelas contas do Ministério da Infraestrutura, o impacto dessa medida para as contas é mínimo, de 1% na arrecadação, mas a avaliação do ministro junto aos seus secretários é que a questão “abriu a porteira” para que outras categorias pleiteiem o benefício. A mensagem passada ao mercado, segundo ele, é contrária à pretendida pelo ministro no início da gestão, de fazer opções apenas técnicas.

Na esteira das benesses de Bolsonaro aos motociclistas, o ministro também colheu um revés de ordem técnica nas tratativas pelo regime de concessões de estradas no Paraná. Depois de pressões do governador local, Ratinho Júnior, por ajustes, Tarcísio aceitou mudar o modelo de concessão de 3.327 quilômetros de rodovias federais que cortam o estado. 

Com a alteração, a concessão dos novos contratos seguirá o modelo de menor tarifa, ante o que as contas do ministro apontavam como ideal. Tarcísio defendia um modelo híbrido, considerando o valor de pagamento da outorga e o desconto na tarifa limitado a 17%, para aumentar as arrecadações do governo federal.

Ele levou ao governador a preocupação de repetir os erros do governo Dilma Rousseff, quando a então presidente lançou um pacote de concessões de rodovias, em 2013, em moldes similares aos agora defendidos pelo chefe do Paraná. Ratinho Júnior argumentou que seria inviável politicamente encampar o projeto de Tarcísio, sob o argumento da aproximação das eleições de 2022. Ele afirmou que sofria pressões da assembleia legislativa do estado contra os preços das tarifas dos pedágios. Em maio, ao direcionar os argumentos ao presidente Jair Bolsonaro, o chefe do Executivo deixou claro que discordava de Tarcísio e fechou questão com o projeto de Júnior. 

Como mostra VEJA, o ministro estaria receoso de que a fantasia de candidato imposta pelo presidente também atrapalhe as concessões previstas para o ano que vem, como a da Via Dutra, que deve ocorrer em fevereiro. Ele teme que investidores saiam pela tangente com novas determinações de Bolsonaro em relação aos pedágios, tornando o projeto pouco atraente para as empresas que têm maior capacidade de investimento na rodovia. Seria um baque no avanço das concessões privadas que vem acontecendo neste ano.

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