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Paraná

Paraná investe R$ 51 milhões em pesquisa genômica para soja e feijão

Diego Velázquez
Diego Velázquez 3 de julho de 2026
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Paraná investe R$ 51 milhões em pesquisa genômica para soja e feijão
Paraná investe R$ 51 milhões em pesquisa genômica para soja e feijão

Fundação Araucária lança projetos de agrogenômica que devem elevar produtividade e sustentabilidade das lavouras paranaenses

O Paraná deu um passo importante na relação entre ciência e agronegócio nesta semana. A Fundação Araucária, ligada ao governo do estado, lançou nesta quinta-feira (2) um pacote de investimentos superior a R$ 51 milhões voltado à pesquisa genômica aplicada à produção agrícola. O aporte contempla três novos Arranjos de Pesquisa e Inovação, batizados de Agrogenômica Feijão, Agrogenômica Soja e Microbioma de Solos, além de uma estrutura compartilhada de equipamentos para dar suporte às pesquisas. A iniciativa reúne universidades, centros de pesquisa e empresas do setor produtivo em torno de um mesmo objetivo: tornar as lavouras paranaenses mais produtivas e resistentes. Para quem acompanha o agronegócio no estado, a pergunta natural é como esse dinheiro vai se transformar em resultado prático no campo. É justamente esse caminho, da pesquisa em laboratório até a lavoura, que a reportagem detalha a seguir, com base em informações divulgadas pela própria Fundação Araucária.

Contents
Fundação Araucária lança projetos de agrogenômica que devem elevar produtividade e sustentabilidade das lavouras paranaensesO que é a agrogenômica e por que o Paraná decidiu investir nesse projetoComo a nova estrutura de equipamentos vai beneficiar pesquisadores e produtores do estadoQuais universidades participam e o que esperar dos próximos passos do projeto

O que é a agrogenômica e por que o Paraná decidiu investir nesse projeto

A agrogenômica é o campo da ciência que estuda o material genético de plantas e microrganismos para entender, com precisão, quais características tornam uma cultura mais produtiva, mais resistente a pragas ou mais adaptada a determinado tipo de solo. No caso do Paraná, o investimento anunciado pela Fundação Araucária financia pesquisas específicas sobre soja, feijão e o microbioma presente nos solos agrícolas do estado, ou seja, o conjunto de microrganismos que interagem com as raízes das plantas e influenciam diretamente a fertilidade e a saúde das lavouras.

A escolha por soja e feijão não é aleatória. Ambas as culturas têm peso relevante na economia paranaense e no abastecimento nacional de alimentos, e qualquer ganho de produtividade obtido em laboratório tende a se refletir em toneladas colhidas a mais por hectare no campo. Segundo a Fundação Araucária, a iniciativa conta com parceria da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e reúne universidades, centros de pesquisa e parceiros do setor produtivo em uma rede de colaboração voltada ao desenvolvimento de soluções para aumentar produtividade, sustentabilidade e competitividade do agronegócio no estado. O presidente da fundação, Ramiro Wahrhaftig, destacou a importância dos novos arranjos como instrumentos de articulação entre ciência e desenvolvimento, reforçando que a proposta não é apenas gerar conhecimento acadêmico, mas transformar esse conhecimento em ganhos concretos para quem vive da terra.

Como a nova estrutura de equipamentos vai beneficiar pesquisadores e produtores do estado

Parte relevante do investimento, R$ 16,5 milhões, foi destinada à criação da Rede Multiusuária de Equipamentos em Agrogenômica. Essa estrutura vai dar suporte a todas as etapas dos projetos, desde as análises realizadas em campo até o processamento de grandes volumes de dados coletados durante as pesquisas. Na prática, isso significa que diferentes equipes de pesquisadores, espalhadas por universidades e institutos do Paraná, poderão utilizar os mesmos laboratórios, equipamentos e servidores, em vez de cada instituição precisar montar sua própria estrutura isoladamente.

A professora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) Taciane Finatto, articuladora da rede, explicou que essa infraestrutura reúne equipamentos, laboratórios e servidores que garantem o armazenamento e a análise segura das informações geradas pelos projetos, fortalecendo a capacidade de pesquisa e inovação no Paraná. Esse modelo de compartilhamento tende a acelerar o ritmo das descobertas, já que evita a duplicação de esforços e permite que os dados gerados por um projeto, como características genéticas ligadas à resistência a pragas na soja, possam ser cruzados com informações de outro projeto, como o comportamento do microbioma do solo, ampliando as chances de se chegar a soluções mais completas para o produtor rural.

Quais universidades participam e o que esperar dos próximos passos do projeto

O projeto foi estruturado para funcionar como uma rede de colaboração científica, e não como uma iniciativa isolada de uma única instituição. Isso significa que universidades, centros de pesquisa e representantes do setor produtivo vão trabalhar de forma integrada ao longo dos próximos anos, compartilhando dados e resultados parciais à medida que as pesquisas avançam. A expectativa da Fundação Araucária é que esse modelo colaborativo reduza o tempo entre a descoberta científica e sua aplicação prática nas lavouras paranaenses.

Ainda não há um cronograma público detalhado com prazos específicos para a entrega dos primeiros resultados aplicáveis ao campo, já que pesquisas genômicas costumam demandar anos de testes e validação antes de chegarem a variedades de sementes ou práticas de manejo recomendadas a produtores. De qualquer forma, o lançamento simultâneo de três frentes de pesquisa, sobre feijão, soja e microbioma de solos, sinaliza que o estado pretende tratar o tema de forma estruturada e de longo prazo, e não como uma ação pontual. Produtores rurais e cooperativas que acompanham de perto a evolução da tecnologia no campo devem observar os próximos boletins da Fundação Araucária e da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, que devem trazer atualizações sobre o andamento dos NAPIs Agrogenômica.

O investimento de R$ 51 milhões em agrogenômica reforça uma tendência que já vinha se desenhando no Paraná: a aproximação cada vez maior entre centros de pesquisa e o agronegócio, setor que responde por parcela expressiva da economia estadual. Para o produtor rural, o resultado prático dessas pesquisas só deve aparecer nos próximos anos, na forma de sementes mais resistentes ou práticas de manejo mais eficientes, mas o movimento já indica onde o estado pretende investir para manter sua competitividade no campo. Cooperativas, universidades e o setor produtivo tendem a acompanhar de perto os desdobramentos dessa iniciativa, que integra ciência, tecnologia e produção agrícola em uma mesma estratégia estadual.

Fontes consultadas: Cantu em Foco (https://www.cantuemfoco.com.br/2026/07/aporte-de-r-51-milhoes-fortalece.html) e Governo do Estado do Paraná (https://www.parana.pr.gov.br/aen)

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