Pesquisa revela as dificuldades do centro para crescer no universo digital

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Em sua edição passada, VEJA mostrou que os partidos que se dizem de centro, apesar de terem crescido nas eleições municipais, ainda não têm um líder capaz de aglutinar apoios e desbancar Jair Bolsonaro na próxima sucessão presidencial. A análise foi amparada em números. Segundo levantamento do instituto Paraná Pesquisas, Bolsonaro lidera nas intenções de voto para 2022 com 33,3% e tem ampla vantagem sobre os demais postulantes, como o ex-juiz Sergio Moro (11,8%), o eterno presidenciável Ciro Gomes (10%), o ex-ministro Fernando Haddad (8,8%), o apresentador Luciano Huck (7,8%) e o governador João Doria (3,7%). O adversário mais competitivo do presidente é seu antecessor Lula, que marcou 17,8%, mas ainda tenta derrubar na Justiça a sua inelegibilidade. Se o petista recuperar o direito de concorrer, a tendência hoje ainda seria de reedição da rivalidade ocorrida nas eleições de 2018. O centro ainda não tem um líder para romper essa polarização na preferência do eleitorado nacional. Pior: os centristas também patinam no universo digital, cada vez mais crucial nas disputas eleitorais.

arte redes

A posição periférica dos nomes que se apresentam como alternativa a Bolsonaro e PT fica clara num ranking elaborado pela Quaest Consultoria & Pesquisa, que desde março mede a popularidade digital de treze políticos de expressão nacional. De forma resumida, o trabalho consiste no monitoramento de redes como Twitter, Facebook, Instagram e YouTube, nas quais é coletada uma série de dados — do número de seguidores à capacidade de promover engajamento, passando pelas reações positivas às postagens. Com base nesse material, a consultoria confere uma pontuação de zero a 100 aos treze políticos e, assim, elabora o que chama de Índice de Popularidade Digital. Na sondagem concluída em 18 de novembro, a primeira colocação ficou com Bolsonaro, que registrou 79,1 pontos e, como na pesquisa de intenção de voto, está muito à frente de seus possíveis adversários. “Embora o volume de contestação em suas páginas tenha aumentado, o presidente continua sendo quem melhor impacta as redes sociais com conteúdos que engajam e mobilizam seu fã-clube digital”, diz o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest.

Na segunda e terceira posições ficaram, respectivamente, Huck (41,2) e Lula (35,6). O apresentador é o único nome do centro bem posicionado no universo digital, mas seu protagonismo nessa seara está muito mais associado a sua fama como estrela de TV do que propriamente a sua participação no debate político. No Twitter, Huck tem 13,1 milhões de seguidores, duas vezes mais do que Bolsonaro e seis vezes mais do que Lula. Ele tem se aproveitado dessa audiência para tratar de assuntos palpitantes da agenda nacional. Foi o caso da disputa política em torno da vacinação contra a Covid-19 (veja a matéria na pág. 58). “Vacina é um direito de todos e um dever do Estado. O vírus não é de esquerda ou de direita. É um problema da ciência. Não cabe politicagem quando o assunto é a saúde da população”, escreveu Huck no Twitter. O problema é que ele tem muito mais engajamento quando fala, por exemplo, da mulher, Angélica, ou das gravações de seus programas.

FAMOSO – Luciano Huck: ele não vai mal, mas a popularidade é associada à televisão e não ao debate político –Dilson Silva/AgNews

Entre os demais pré-candidatos à Presidência, quem aparece mais bem colocado no ranking de popularidade digital é o ex-ministro Ciro Gomes, que ficou em sexto, com 23,9 pontos. Filiado ao PDT, Ciro trabalha para construir uma candidatura de centro-esquerda e, nesse esforço, mantém conversas até com o DEM. Até pelo recall de eleições anteriores, é natural sua boa posição. Mas ela segue sempre estável, sem grandes alterações. Quem teve uma mudança brusca de avaliação foi o ex-ministro Sergio Moro — para baixo. Cortejado pelo Podemos, mas ainda sem filiação partidária, o ex-juiz é o sétimo colocado e enfrenta um processo vertiginoso de desidratação. Ao deixar o governo em abril, acusando Bolsonaro de tentar interferir politicamente na Polícia Federal, Moro deu um salto de popularidade e alcançou 50 pontos, enquanto Bolsonaro despencou para 66 pontos. Hoje, Moro tem apenas 22,8 pontos. Seu desempenho, registre-­se, é prejudicado pelo fato de não ter páginas no Facebook nem no YouTube. “Moro simplesmente perdeu lugar no espaço político brasileiro. Suas opiniões e posições importam menos e seu trabalho de cultivar as redes não se mostra efetivo”, diz Felipe Nunes.

No meio político, há a avaliação de que o ex-juiz se distanciou da possibilidade de se candidatar à Presidência ao se tornar sócio de uma consultoria internacional que administra o processo de recuperação judicial da Odebrecht, empreiteira que foi alvo de suas decisões quando ele julgava a Lava-Jato. O fato é que, mesmo com a incursão na iniciativa privada, ele não abandonou o debate. Recentemente, usou o Twitter, rede em que tem 3 milhões de seguidores, para reforçar sua bandeira anticorrupção e repudiar o racismo e o feminicídio. Uma de suas postagens: “20 de novembro, dia da Consciência Negra, e o destaque do noticiário é o espancamento e morte de João Alberto Silveira Freitas, em um supermercado. A violência racial não pode mais ser tolerada. Que os assassinos sejam punidos com rigor”. Tais movimentos, porém, têm sido insuficientes para manter sua popularidade digital — e a contradição de seu comportamento deve piorar ainda mais sua colocação.

DESIDRATAÇÃO – Sergio Moro: em baixa após deixar o governo –Marcelo Camargo/Agência Brasil

Além de Ciro Gomes, o único nome do centro que certamente será candidato em 2022 é o governador João Doria, que representaria uma aliança de centro-direita. O tucano aparece apenas na 11ª posição na lista de popularidade digital. Apesar de figurar na rabeira do ranking, ele não se descuida das redes e usou o Twitter, por exemplo, para tentar se apresentar como o anti-Bolsonaro no caso da vacinação. “Precisamos de todas as vacinas para salvar vidas no Brasil. Esperamos que o Ministério da Saúde e a Anvisa tenham senso de urgência e possam agilizar medidas, sem abandonar critérios científicos”, escreveu o governador. O presidente mordeu a isca e reagiu com uma provocação, ao lembrar que a vacina pela qual o tucano faz campanha ainda depende de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): “O Brasil disponibilizará vacinas de forma gratuita e voluntária após comprovada eficácia e registro na Anvisa”. Esse antagonismo foi interessante para o governador paulista, que, embora ainda esteja bem atrás, apresenta bom potencial de crescimento na batalha digital.

Tal frente, aliás, certamente terá importância fundamental em 2022. Trata-se de uma era que (goste-se ou não) veio para ficar. Nas eleições das capitais, por exemplo, os candidatos com atuação de destaque nas redes conquistaram bons resultados. Mesmo filiado a um partido pequeno e detentor de míseros segundos na propaganda eleitoral, Guilherme Boulos (PSOL) chegou ao segundo turno em São Paulo embalado por seu prestígio no universo digital. Até nessa seara ele superou o PT. Para o diretor da Quaest, a popularidade nas redes é sinônimo de poder e de competitividade eleitoral. O desafio dos centristas, segundo ele, é achar o tom correto para conquistar seguidores agora e votos em 2022. O tom moderado demais, até aqui, não tem se mostrado capaz de promover engajamento e conquistar adesões. “O centro é monótono. E não há espaço para monotonia na comunicação digital. O centro precisa ser ‘radicalmente de centro’ se quiser aparecer”, aconselha Felipe Nunes. Em outras palavras: essa turma não tem de ter medo de se posicionar, de discordar e de mostrar as contradições presentes nos polos.

Publicado em VEJA de 16 de dezembro de 2020, edição nº 2717

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