Veja o que se sabe sobre o ataque de assaltantes que aterrorizou e deixou feridos em Guarapuava, no Paraná

Mais de 30 criminosos fortemente armados tentaram assaltar uma empresa de transporte de valores em Guarapuava, na região central do Paraná, entre a noite de domingo, 17 de abril, e a madrugada de segunda-feira, 18 de abril, segundo a Polícia Militar (PM). Um policial militar morreu, outro ficou ferido assim como um morador.

Como foi o ataque?

De acordo com relato de testemunhas, os assaltantes fizeram moradores reféns e fecharam os acessos da cidade. Além disso, cinco veículos blindados foram usados na ação, segundo a polícia.

DOIS SANTA FÉ
UM ASX
UM TIGUAN
UM FREELANDER
UM OUTLANDER
UM LAND ROVER
UM VIRTUS
Muitos disparos foram ouvidos durante a madrugada, segundo moradores da cidade.

Um vídeo mostra o momento em que moradores feitos reféns fazem um cordão humano durante a ação dos assaltantes. Nas imagens é possível ver pelo menos três homens de mãos dadas em uma rua que fica na região da empresa de transporte de valores, no bairro dos Estados.

Imagens de segurança obtidas com exclusividade pela RPC indicam que o grupo criminoso ficou por uma hora e meia em frente à transportadora.

O registro também mostra que viaturas da polícia aparecem na região à 0h45, quase uma hora após a saída dos suspeitos

De acordo com o delegado Rubens Miranda, responsável pela investigação do ataque, vigilantes da empresa de transporte de valores trocaram tiros com os criminosos.

Simultaneamente, em outro ponto da cidade, em frente ao batalhão da Polícia Militar, os criminosos colocaram fogo em dois veículos para dificultar a ação dos agentes de segurança, segundo o secretário de Segurança Pública do Paraná, Romulo Marinho.

Houve confronto, que terminou com três policiais baleados, sendo que dois foram encaminhados para o hospital. O terceiro policial não ficou ferido porque a bala parou no celular do agente.

Na viatura estava ainda o Hulk, o cão farejado da Polícia Militar. Ele não foi ferido.

O Exército mobilizou um veículo blindado para reforçar a segurança das instalações militares da cidade, que abriga o 26º Grupo de Artilharia de Campanha.

A corporação informou que não houve nenhum tipo de ação contra a unidade militar e que as medidas adotadas fazem parte do protocolo de segurança da Organização Militar.

Como os criminosos estavam equipados?
Em coletiva, a Polícia Militar informou que os criminosos estavam com oito veículos, cinco dos quais eram blindados. Eles também possuíam armas, muitas de uso exclusivo das Forças Armadas.

Uma das armas foi abandonada em cima de árvore e encontrada na manhã desta segunda. A arma é uma espingarda e foi roubada da empresa que sofreu o ataque. A PF informou que espingarda tem calibre 12 mm e é semiautomática.

Especialista ouvido pelo g1 Paraná afirmou que o prejuízo para o criminosos ronda à casa dos R$ 290 mil.

Ainda de acordo com Polícia Militar, os criminosos estavam equipados com mochilas de mantimentos, com kits de primeiros socorros e quatro capacetes balísticos. Também havia carros escondidos para a fuga do grupo na zona rural de Guarapuava.

Quem são o policial morto e os outros feridos?
O cabo Ricieri Chagas foi atingido por um tiro na cabeça e seis dias após o ataque teve a morte cerebral confirmada. Durante o período em que o policial esteve internado, moradores e familiares fizeram grupos de oração e vigília em frente ao hospital.

O cabo José Douglas Bonato foi baleado na perna, operado e não corre risco de morrer. O policial Wendler é o terceiro agente de segurança atingido por tiro de fuzil. Contudo, ele foi salvo pelo celular que estava no bolso do colete balístico e não se feriu.

Os policiais estavam na mesma viatura junto com um cachorro Hulk.

Conforme a prefeitura, o civil atingido passa bem. A administração municipal não forneceu mais informações.

que foi levado pelos criminosos?
O comandante-geral da Polícia Militar no Paraná (PM-PR), coronel Hudson Leôncio Teixeira e o secretário de Segurança Pública do estado, coronel Rômulo Marinho Soares, afirmaram que os criminosos não conseguiram acessar os cofres da empresa e fugiram sem dinheiro.

A Protege, proprietária da empresa de valores que foi alvo do ataque, também informou em nota que nada foi levado (leia mais abaixo).

Como foi a fuga?

Na fuga, os criminosos fecharam os acessos da cidade. Após a ação, durante a madrugada, os moradores de Guarapuava foram orientados a não deixarem as casas, devido ao risco à segurança.

Por volta das 5h45, a Polícia Militar informou que os criminosos conseguiram fugir rumo ao interior do estado e, momentos depois, afirmou que os moradores poderiam sair de casa.

A Secretaria de Segurança Pública do Paraná e a Polícia Militar afirmam que foi aplicado um plano de contingência para conter os criminosos. A afirmação, contudo, é questionada por policiais que afirmam que não houve planejamento e que os próprios agentes se organizaram para conter o ataque.

Um policial que participou da ação e preferiu não se identificar relatou como a equipe se organizou e, segundo ele, conseguiu montar um efeito com dezenas de policiais.

“No batalhão foi chegando muita gente, policiais militares da reserva, aposentados, né? Policiais de folga, policiais de atestado médico. Então, era muita gente. Eu creio que, pelo menos no horário que eu estive ali, cerca de 60, 70 policiais militares”.

Qual foi a cronologia do ataque?
A tentativa de assalto a transportadora de valores e o ataque ao 16ª Batalhão da Polícia Militar (BPM) do município, ocorreram de maneira simultânea.

De acordo com o secretário de Estado Segurança Pública do Paraná, coronel Romulo Marinho Soares, o intervalo de tempo entre a chegada dos assaltantes na cidade até a fuga, foi de cerca de cinco horas.

Alguém foi preso?
Até a última atualização desta reportagem, oito homens considerados suspeitos foram detidos. Os dois primeiros prestaram depoimento e foram liberados.

Outros seis suspeitos, conforme a PM, morreram em confronto com policiais.

Em Guarapuava, cerca de 200 policiais atuaram na busca aos assaltantes.

Imagens registradas pelo Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas (BPMOA) da Polícia Militar (PM) do Paraná mostram a visão aérea do trabalho de buscas por suspeitos do ataque. Assista abaixo.

O que já foi apreendido?
Até as 10h desta quinta-feira (21), de acordo com a polícia, foram apreendidos:

9 veículos localizados;
3 armas .50;
1 arma 7,62;
4 armas 5,56;
2 espingardas calibre 12;
1 pistola Glock 9mm com seletor de rajada;
1 carregador de AK 47;
1 bolsa cheia de “miguelito” (espécie de arma feita com pregos)
104 munições cal. 762;
59 munições cal. 556;
R$ 1,4 mil em espécie;
4 capacetes balísticos;
2 coletes balísticos;
5 balaclavas;
kits de primeiros socorros;
mochilas com roupas, barras de cereal, remédios e itens de higiene;
facas;
celulares;
lanternas;
e um par de placas de veículo sobressalente.
Voltar para o início.

O que é e como funciona o plano de contingência usado pela PM?
Nesta terça-feira (19), o secretário de Segurança Pública do Paraná, coronel Romulo Marinho Soares, explicou o que é e como funciona esse plano.

“O plano é uma coisa dinâmica. A PM tem isso nos comandos regionais, no Paraná inteiro. Esse plano é basicamente isso: são ações positivas para caso aconteça alguma coisa anormal no município. Prontamente, é feito o plano de chamada, as pessoas são treinadas para isso, e é colocado em prática”, disse o secretário.

Segundo o secretário, em todas as cidades do estado onde há pontos considerados críticos para a segurança, são elaborados planejamentos para ocorrências de risco como o ataque registrado em Guarapuava.

No caso de acionamento do plano, as equipes da polícia bloqueiam os pontos de saída da cidade, que no caso de Guarapuava eram sete principais. Os locais não foram informados pela polícia, por questões de segurança e estratégia.

Ainda conforme a secretaria, a partir desses pontos os policiais atuam, ganhando espaço nos terrenos para, então, chegar até os suspeitos.

No ataque de domingo, ao receberem a notícia da ocorrência, as equipes da PM foram avisadas, e buscaram fechar as saídas da cidade para evitar que os suspeitos conseguissem fugir.

O objetivo principal do plano de contingência, segundo o secretário, é não colocar a população em risco, buscando forçar os suspeitos a saírem da cidade, cercados pelas equipes de segurança.

Ainda conforme a explicação do secretário, após acionado o plano, existe uma central de operações que mobiliza toda a região. Um oficial (coordenador de policiamento da unidade) organiza a ação das equipes, que utilizam armamento mais específico para o trabalho de enfrentamento.

A Associação dos Praças da Polícia Militar do Paraná (Apra) divulgou uma nota nesta terça-feira (19) questionando afirmação do comando da corporação de que havia um plano de contingência.

Um dos policiais militares que atuou no combate aos criminosos afirmou que os bandidos se planejaram, mas a PM não. Sob a condição de anonimato, ele explicou que os policiais do próprio batalhão chamaram reforços para ajudar na operação.

“Montava-se as equipes ali, claro, por afinidade, as equipes de Rotam, as equipes de Choque… cada um com seus grupos táticos ali, né? E iam saindo. Plano de contingência mesmo não existiu”, relata.

O que diz a empresa alvo do ataque?
Em nota, a Protege, dona da empresa de valores que foi alvo dos assaltantes, informou que os criminosos não conseguiram acessar o cofre da empresa.

Também informou que vai colaborar com as autoridades responsáveis pela investigação do caso.

“Comunicamos que a ação criminosa contra a Base Operacional em Guarapuava (PR) não obteve êxito em acessar o cofre. Informamos que a empresa está totalmente comprometida em seguir colaborando com as autoridades responsáveis pelas investigações em curso”, diz a nota enviada à imprensa.

Onde fica Guarapuava?
Guarapuava fica a 256 quilômetros de Curitiba. A cidade tem quase 190 mil habitantes, de acordo com estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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