Houthis do Iêmen abrem nova frente na guerra entre EUA e Irã, e navios que abasteciam a Ásia mudam de rota por segurança.
A guerra entre Estados Unidos e Irã ganhou um novo e perigoso capítulo nesta semana. Nesta quinta-feira (23), o preço do petróleo Brent disparou mais de 6% e ultrapassou a marca de US$ 98 o barril, o maior valor desde maio, após relatos de ataques a navios-tanque na costa da Arábia Saudita. Os rebeldes houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, reivindicaram a autoria dos ataques, alegando que as embarcações estariam infringindo um bloqueio marítimo imposto pelo grupo. O episódio reacende uma pergunta que preocupa o mercado global de energia: até onde pode chegar essa escalada, e qual o real risco de um colapso no fornecimento mundial de petróleo?
Como o conflito chegou ao Mar Vermelho
O conflito entre Estados Unidos e Irã começou em fevereiro deste ano, após ataques israelenses e americanos a instalações iranianas. Desde então, a guerra tem alternado períodos de trégua e retomada de hostilidades. Segundo a Reuters, dois petroleiros que transportavam petróleo saudita para a Ásia mudaram de rota no Mar Vermelho após ameaças dos houthis, em um momento em que o conflito no Oriente Médio já havia interrompido a navegação em dois dos pontos de estrangulamento energético mais críticos do mundo: o Estreito de Ormuz e a região próxima ao Mar Vermelho.
Forças americanas bombardearam alvos no sul e no oeste do Irã nos últimos dias, enquanto Teerã atacou instalações dos Estados Unidos no Barein, no Kuwait e na Jordânia. Um petroleiro também foi atingido no Estreito de Ormuz, principal rota de escoamento do petróleo do Golfo Pérsico. Até então, a Arábia Saudita havia conseguido escapar parcialmente das interrupções no transporte marítimo, direcionando parte de sua produção para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho. O risco agora apontado por analistas é que um fechamento total dessa rota alternativa pelos houthis reduza significativamente o abastecimento global, já que boa parte das exportações sauditas ficaria retida.
Os esforços diplomáticos para conter a escalada
Apesar da intensificação dos ataques, negociações diplomáticas seguem em curso nos bastidores. Uma autoridade iraniana relatou à Reuters que Teerã recebeu uma proposta de mediadores internacionais para um cessar-fogo temporário de dez dias, em uma tentativa de salvar um acordo provisório que poderia abrir caminho para um entendimento mais duradouro entre as partes. O objetivo seria colocar fim a um conflito que já dura cerca de cinco meses e que tem gerado efeitos diretos sobre o comércio marítimo internacional.
O mercado financeiro, no entanto, segue reagindo muito mais aos sinais de conflito do que às tentativas de negociação. A escalada de ameaças por parte dos Estados Unidos de intensificar novos ataques contra o Irã tem sido suficiente para manter os preços do petróleo em patamar elevado, mesmo diante de conversas diplomáticas em andamento. Esse comportamento reflete a percepção de que, mesmo com avanços pontuais nas negociações, a situação segue instável o bastante para justificar um prêmio de risco elevado nos contratos futuros de energia.
O impacto para o mercado global de energia
A disparada do petróleo Brent, que chegou a superar os US$ 100 por barril em alguns momentos desta semana, segundo dados de mercado, reacende temores de um novo choque energético global, com potencial de pressionar a inflação em diversas economias, incluindo a brasileira, que é grande importadora de derivados de petróleo em determinados períodos do ano. Analistas do setor financeiro citados por veículos especializados apontam que o mercado está monitorando de perto qualquer sinal de interrupção prolongada nas rotas do Golfo Pérsico e do Mar Vermelho.
Para os próximos dias, o desfecho da proposta de cessar-fogo de dez dias deve ser o principal fator de influência sobre os preços da commodity. Caso as negociações avancem, é possível que parte da pressão sobre o mercado energético se dissipe. Por outro lado, uma nova escalada militar na região tende a manter os preços em patamar elevado por mais tempo, com reflexos diretos sobre o custo de combustíveis e sobre cadeias produtivas que dependem do transporte marítimo internacional para escoar suas mercadorias.
Fontes consultadas: Antena 1 / Reuters, Capitalizo.