Como evidencia Alfredo Moreira Filho, empresário e vencedor do prêmio Engenheiro do Ano do Amazonas, concedido pelo Crea/AM, a agronomia tem uma trajetória longa de reconhecimento na região amazônica. Hoje, essa área do conhecimento ocupa o centro de um dos debates mais relevantes do país: a bioeconomia, modelo que busca gerar renda a partir da floresta em pé, sem repetir o ciclo de desmatamento que marcou décadas de ocupação.
O tema ganhou ainda mais visibilidade com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP30, em Belém, que colocou a Amazônia e suas alternativas econômicas no centro da agenda internacional. Entender o que é bioeconomia e qual é o papel dos profissionais da agronomia nesse modelo ajuda a separar discurso de prática; acompanhe os pontos a seguir.
O que é bioeconomia?
Bioeconomia é o conjunto de atividades econômicas baseadas em recursos biológicos renováveis, como plantas, frutos, sementes, óleos e microrganismos. Na Amazônia, o conceito ganha um recorte específico: valorizar produtos da biodiversidade nativa e os conhecimentos das populações tradicionais, gerando emprego e renda sem converter a floresta em pasto ou lavoura extensiva.
A proposta não é nova para quem conhece a região. Comunidades ribeirinhas sempre viveram da coleta, da pesca e de pequenos cultivos adaptados às cheias e vazantes dos rios. O que muda agora é a escala e a organização das cadeias produtivas. Em municípios como Itacoatiara e Manaus, presentes na trajetória de Alfredo Moreira, a economia ligada aos rios e à floresta sempre conviveu com a urbanização acelerada.
Produtos da floresta em pé
O açaí é o exemplo mais conhecido do potencial da bioeconomia amazônica. De alimento básico das famílias ribeirinhas, tornou-se produto consumido em todo o Brasil e exportado para outros países. Castanha-do-brasil, cacau nativo, cupuaçu, guaraná, andiroba e copaíba também compõem a lista de produtos com mercado crescente nos setores de alimentos, cosméticos e fármacos.

Agregar valor a esses produtos exige mais do que coleta. É preciso garantir padrão de qualidade, rastreabilidade, beneficiamento próximo da origem e acesso a compradores que paguem preço justo. É nesse elo entre floresta e mercado que o conhecimento técnico faz diferença, como sugere o reconhecimento profissional recebido por Alfredo Moreira Filho no Amazonas, região em que a agricultura sempre exigiu soluções próprias.
Sistemas agroflorestais e o trabalho técnico
Uma das principais ferramentas da bioeconomia são os sistemas agroflorestais, conhecidos pela sigla SAF. Eles combinam, na mesma área, árvores nativas, frutíferas e cultivos agrícolas, imitando a estrutura da floresta. O resultado é maior proteção do solo, menor incidência de pragas e produção diversificada ao longo do ano.
Implantar um SAF, porém, exige planejamento técnico. O engenheiro agrônomo define espécies compatíveis, espaçamento, manejo de sombra e calendário de colheitas, além de elaborar projetos para acesso a crédito rural e programas de certificação. Profissionais com atuação reconhecida na região, como o premiado pelo Crea/AM Alfredo Moreira, ajudam a mostrar que a agronomia amazônica precisa de conhecimento adaptado ao ambiente local, e não de modelos importados.
Desafios para ganhar escala
A bioeconomia ainda enfrenta obstáculos importantes. A logística é cara em uma região onde rios substituem estradas, a regularização fundiária avança lentamente e falta assistência técnica contínua para pequenos produtores. Sem infraestrutura e crédito adequados, muitos produtos da floresta continuam sendo vendidos in natura, com baixo valor agregado.
A pressão sobre a floresta também persiste, sobretudo no chamado arco do desmatamento, faixa que inclui o sul do Pará, onde fica Tucumã, município que integra o percurso de Alfredo Moreira Filho. Em síntese, transformar a bioeconomia em realidade depende de pesquisa, assistência técnica, logística e mercado, e o engenheiro agrônomo é peça central para conectar todos esses elos.