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Feminicídios batem recorde no Brasil mesmo com menor número de homicídios em 13 anos

Ken Harusawa
Ken Harusawa 24 de julho de 2026
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Feminicídios batem recorde no Brasil mesmo com menor número de homicídios em 13 anos
Feminicídios batem recorde no Brasil mesmo com menor número de homicídios em 13 anos

Anuário de Segurança Pública mostra queda geral da violência, mas aponta alta de 4% nos assassinatos de mulheres em 2025.

O Brasil viveu, em 2025, um paradoxo na área da segurança pública. Enquanto o país registrou o menor número de mortes violentas intencionais desde o início da série histórica, iniciada em 2012, os casos de feminicídio bateram recorde, na contramão da tendência geral. Os dados fazem parte do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento traz um retrato que exige atenção: por que a violência letal cai de forma consistente no país, enquanto os assassinatos de mulheres por razões de gênero seguem crescendo ano após ano?

Contents
Anuário de Segurança Pública mostra queda geral da violência, mas aponta alta de 4% nos assassinatos de mulheres em 2025.Os números da violência letal no paísO crescimento contínuo dos feminicídiosO que os indicadores complementares revelam

Os números da violência letal no país

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, uma queda de 8% em relação às 44.126 ocorrências contabilizadas em 2024. O indicador reúne homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial. Pela primeira vez, a taxa nacional ficou abaixo de 20 mortes por 100 mil habitantes, chegando a 19,1, e a redução foi observada em 20 das 27 unidades da Federação, com destaque para Amazonas, Rio Grande do Sul e Mato Grosso.

Quando considerados apenas os homicídios dolosos, o país atingiu uma taxa de 15,4 mortes por 100 mil habitantes, resultado que antecipa em dois anos a meta estabelecida pelo Plano Nacional de Segurança Pública para 2027, que previa um índice de 16 homicídios por 100 mil habitantes. O avanço é significativo se considerado o histórico da série, iniciada em 2012, e reforça uma trajetória de queda contínua da violência letal geral que já dura cinco anos consecutivos no país, segundo o mesmo levantamento.

O crescimento contínuo dos feminicídios

Na contramão dessa melhora geral, o Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, um aumento de 4% em relação aos 1.504 casos de 2024. O número representa uma média de quatro mulheres mortas por dia em razão da condição de gênero, e é o maior patamar desde 2015, ano em que o feminicídio passou a ser tipificado como crime específico no Código Penal brasileiro. Segundo o levantamento, 65,1% das vítimas eram mulheres negras, e 56,5% tinham entre 25 e 44 anos.

Os dados também mostram que 60,9% dos casos foram cometidos por parceiros íntimos, 18,9% por ex-parceiros e 12,1% por familiares, o que reforça o caráter doméstico da maior parte dessas mortes. Do total de vítimas, 62,5% foram assassinadas dentro da própria casa. Para Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o aumento contínuo do indicador ao longo dos anos sugere que não se trata apenas de uma melhoria no registro dos casos, mas de sinais consistentes de aumento real desse tipo de violência. Agenciapatriciagalvao

O que os indicadores complementares revelam

Além dos feminicídios consumados, o Anuário também acompanha indicadores que antecedem esse tipo de crime, como ameaças, lesões corporais em contexto de violência doméstica, descumprimento de medidas protetivas e casos de perseguição, popularmente conhecidos como stalking. Segundo os dados, para cada feminicídio registrado em 2025, houve 502 ameaças, 182 lesões corporais em contexto doméstico e 84 casos de descumprimento de medidas protetivas, além de um crescimento expressivo nos registros de perseguição, que aumentaram 30,1% em relação ao ano anterior.

Esses números indicam que o feminicídio costuma ser o desfecho de um ciclo prolongado de violência, muitas vezes precedido por sinais que já haviam sido levados às autoridades. O crescimento simultâneo desses indicadores complementares reforça a avaliação de especialistas de que o aumento nos casos de feminicídio não decorre apenas de uma melhoria estatística no registro dos crimes, mas de um agravamento real da violência de gênero, mesmo em um cenário nacional de queda geral da criminalidade letal.

Fontes consultadas: Agência Patrícia Galvão, Correio Braziliense.

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