Estado reduziu taxa de homicídios dolosos em 24,1% e teve 393 vítimas a menos na comparação com 2024.
O Paraná apareceu entre os destaques nacionais do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O estado registrou a terceira maior redução do país na taxa de homicídios dolosos entre 2024 e 2025, ficando atrás apenas do Amazonas e do Rio Grande do Sul. O resultado chama atenção justamente por contrastar com o cenário observado em boa parte do Brasil, e leva a uma pergunta natural entre os paranaenses: o que explica essa queda tão acentuada na violência letal do estado?
A dimensão da queda nos homicídios paranaenses
De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a taxa de homicídios dolosos no Paraná caiu 24,1% entre 2024 e 2025, resultado inferior apenas ao Amazonas, com queda de 33,5%, e ao Rio Grande do Sul, com 25,1%. Em todo o país, a redução média foi de 10%, o que reforça o desempenho paranaense acima da média nacional. Em números absolutos, o total de vítimas de homicídio doloso no estado passou de 1.663, em 2024, para 1.270, em 2025, uma diferença de 393 vidas.
O estado também apresentou a quinta maior queda do país na taxa de Mortes Violentas Intencionais, indicador que reúne homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial. A taxa paranaense recuou de 18,4 para 15,5 mortes por 100 mil habitantes, uma redução de 15,5%. Segundo dados complementares da Secretaria de Estado da Segurança Pública, o Paraná chegou, em 2025, à menor taxa de homicídios dolosos de toda sua série histórica, iniciada em 2007, com um índice de 9,9 casos para cada 100 mil habitantes.
O comportamento dos feminicídios no estado
Diferentemente da tendência nacional, que registrou recorde de feminicídios em 2025, o Paraná apresentou queda expressiva nesse indicador. Segundo o Governo do Estado do Paraná, o número de feminicídios caiu 20,2% no estado, passando de 109 casos em 2024 para 87 em 2025. A taxa paranaense de feminicídios por 100 mil mulheres também recuou, chegando a 0,73, uma das menores do país, ao lado de estados como São Paulo, Amazonas e Santa Catarina.
No comparativo nacional das taxas de feminicídio, o Paraná teve a terceira maior redução do Brasil, atrás apenas do Amazonas, com 31,7%, e do Maranhão, com 26,2%. O contraste com outros estados da própria Região Sul chama atenção: enquanto o Paraná reduziu o indicador, Santa Catarina registrou alta de 2,3% e o Rio Grande do Sul, de 9,5%. Municípios como Londrina e Ponta Grossa tiveram quedas ainda mais acentuadas nos registros de feminicídio, segundo dados do governo estadual, com destaque para Ponta Grossa, que zerou os casos em 2025 após oito ocorrências no ano anterior.
Investimentos e outros indicadores de segurança
Parte da explicação para os resultados apresentados pelo Paraná está ligada ao volume de investimentos em segurança pública realizados nos últimos anos. Segundo o governo estadual, o aporte na área passou de R$ 2 bilhões em 2018 para R$ 8 bilhões em 2025, incluindo a aquisição de viaturas, embarcações, armamentos, drones, veículos blindados e equipamentos de tecnologia forense, além da construção da nova sede do Batalhão de Operações Policiais Especiais.
O estado também se destacou no combate ao tráfico de drogas, com redução de 5,6% nas ocorrências de apreensão em 2025 em relação ao ano anterior, na contramão do crescimento de 9,8% observado no país como um todo. O Paraná respondeu por cerca de 10,6% de todas as apreensões de drogas registradas no Brasil no período. Outra iniciativa em destaque é o desenvolvimento, pela Secretaria de Segurança Pública, de um algoritmo de inteligência artificial voltado a mapear o risco de revitimização em casos de violência doméstica, cruzando mais de 15 milhões de registros policiais para orientar ações preventivas mais eficazes.
Fontes consultadas: Diário do Sudoeste, Governo do Estado do Paraná.